
Despesas do casal: como negociar?

Conversar sobre as despesas do lar e as obrigações financeiras de cada um é importante.
Conversar sobre dinheiro numa relação é sempre algo complicado. O consenso é difícil uma vez que o casal entende certas questões financeiras de maneiras diferentes. Ele é mais gastador, ela segura mais a onda, ele quer ter conta conjunta, ela prefere separada. O que fazer? Conversar sobre as despesas do lar e as obrigações de cada um é fundamental para uma relação saudável.
"Muitas brigas têm origem em assuntos relacionados ao dinheiro, principalmente aqueles que envolvem a gestão do orçamento doméstico e o modo de eleger as prioridades e identificar supérfluos. Quando estes aspectos não estão bem definidos entre o casal, a chance de haver conflitos aumenta significativamente", explica Gustavo de Carvalho Chaves, consultor financeiro do G9 Investimentos.
Veja algumas situações sobre dinheiro que costumam provocar brigas na relação e as soluções apontadas por nosso consultor.
Ela ganha mais que ele
O diálogo financeiro entre os casais esbarra num ponto crítico: alguns homens ainda se ressentem se a parceira ganha mais do que eles. "Talvez porque relutem em admitir que, a cada dia que passa, as mulheres disputam (e conquistam) em condições de igualdade e, por que não dizer de superioridade, o espaço que antes era exclusivo dos homens", afirma o consultor financeiro.
Esse importante avanço social "bateu de frente" com interesses e conceitos defendidos por uma sociedade essencialmente machista e ultrapassada e que sempre tratou homens e mulheres com muita desigualdade, admitindo tão somente dois papéis, ou seja: aos homens, liberdade total, direitos plenos e o dever de prover o lar, às mulheres o "direito" de cuidar do marido, dos filhos, dos afazeres domésticos e de assistir os desmandos dos maridos em silêncio.
Comunicação financeira é fundamental
Não tenha receio de falar com ele sobre as despesas de ambos. As questões financeiras fazem parte da vida. Na realidade, falar sobre dinheiro é fundamental em qualquer relação interpessoal, ainda mais entre pessoas que possuem projetos e objetivos em comum. "Talvez o maior desafio seja saber quando e como tratar deste assunto", ressalta Gustavo.
Conta conjunta ou separada?
"Isso depende da capacidade de administração financeira de cada casal", explica o consultor financeiro. Para os mais disciplinados, o uso de contas conjuntas, cheques e cartões de crédito comuns pode ser uma boa opção para reduzir as despesas com tarifas bancárias e/ou facilitar a movimentação dos recursos durante situações de emergência e imprevistos. Já para os "menos" disciplinados, este tipo de opção é bastante arriscada e deve ser evitada até que as boas práticas de gestão financeira e de uso racional do dinheiro comecem a fazer parte da vida do casal.
Discipline financeiramente seus filhos
Para os casais com filhos, uma recomendação do consultor é estimular o uso responsável do cartão de crédito, fixando limites baixos e acompanhando os gastos de perto. É uma forma simples e eficaz de contribuir para o desenvolvimento da disciplina financeira dos filhos.
Tracem um plano em comum
Esta é uma das melhores maneiras de formar reservas, constituir patrimônio e alcançar a independência financeira. "Além disso, está comprovado que casais que planejam e alcançam seus objetivos a partir de esforços unificados reforçam seus laços afetivos e, consequentemente, melhoram sua qualidade de vida", assegura Gustavo.
Grana para o lazer
De acordo com o consultor financeiro, fazer isso é uma ótima ideia. Se possível, além de reservar um dinheiro para o lazer e para as indulgências do dia a dia, é indicado que o casal forme reservas para os mais variados fins como, por exemplo, fazer a viagem dos sonhos, comprar/trocar de carro, investir na compra da casa própria, abrir um negócio, cursar uma pós-graduação, entre outros.
Caixinha para emergências
"Eu diria que isso é fundamental, já que os imprevistos e emergências figuram entre as principais causas dos problemas financeiros", explica o consultor. Se o casal não possui nenhuma reserva emergencial, a chance de entrar no vermelho e ter que usar o cheque especial ou recorrer a empréstimos aumenta muito. A situação se agrava quando o uso desse caríssimo "dinheiro extra" passa a fazer parte do orçamento mensal, virando uma espécie de complementação salarial.
Uma dica do consultor financeiro para os casais que desejam viver uma vida financeira tranquila é estabelecer uma meta interessante de poupança. "O ideal é juntar, no mínimo, o equivalente a seis meses da despesa média mensal e, em seguida, manter esse dinheiro numa aplicação de baixo risco e que possibilite resgate imediato no caso de qualquer eventualidade", observa.
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