
Redescobrindo o amor em 7 filmes: romance na melhor idade

Meryl Streep e Tommy Lee Jones em cena do filme "Um Divã para Dois".
Por MITCHEL DINIZ
Nos primeiros minutos de "Um Divã para Dois", presenciamos uma Meryl Streep, no auge dos seus 63 anos, bem diferente daquela que costuma desfilar glamurosa sobre tapetes vermelhos em premiações. Diante do espelho, Kay, a personagem de Meryl no filme, tenta encontrar nela mesma a sensualidade perdida com o tempo, escondida em rugas e imperfeições da velhice. Talvez pela falta de maquiagem de sua protagonista – ou o uso proposital dela para caracterizar a personagem – a cena provoca um choque. Não pela exposição plena de uma mulher madura e sim pela angústia silenciosa de Kay que, obstinada a ter uma noite de amor com o marido, já não se sente mais segura em relação à própria imagem. Em relação a ela mesma.
"Divã" propõe uma reflexão sobre a passagem do tempo - e tudo o que ela traz de bom e de ruim. Na vida de um casal, o tempo traz cumplicidade e constrói uma família. Mas Kay e Arnold (o ótimo Tommy Lee Jones) chegaram ao ponto em que o passar dos anos contribui apenas com o desgaste da relação. O matrimônio de 30 anos foi contagiado pela rotina, pelo comodismo crônico e os dois vão tentar resolver o problema na terapia.
CLIQUE AQUI E REDESCUBRA O AMOR EM 7 FILMES
A premissa do filme soa trivial, mas o roteiro não deixa o filme passar despercebido. Talvez pela forma como o desgaste na relação dos protagonistas é retratada, de maneira que Kay e Arnold já nem conseguem mais se tocar. Nesse ponto “Divã” não se decide entre a comédia e o drama e está aí, justamente, um de seus trunfos: jogar com a ambiguidade de um casal que se gosta, mas não demonstra. Que se ama, mas não se toca.
Nesse processo de redescoberta do amor, Kay e Arnold vivem situações que são tão constrangedoras para eles quanto para quem assiste ao filme. "Divã" entra na questão do sexo na "melhor idade", tema que é tabu, mas que o cinema tem tratado com mais frequência. É inevitável comparar o filme de David Frankel com outros dois da diretora Nancy Meyers: "Alguém tem que Ceder" e "Simplesmente Complicado", esse último também protagonizado por Meryl Streep. Ambos tratam do dilema de relacionamentos entre pessoas maduras, com um tratamento tão apaixonado quanto os que os filmes protagonizados por jovens recebem.
A solução para romances desgastados pelo tempo talvez não esteja em nenhum desses filmes. Provavelmente nós mesmos teremos de lidar com esse tabu. Se despir de preconceitos na frente do espelho, ser amigo do tempo, aceitar que ele passou. Dar boas vindas ao nosso novo eu e às novas formas de amar.
* Mitchel Diniz é jornalista baiano com endereço em São Paulo. É apaixonado por cinema e já ganhou um Oscar imaginário. Fez o discurso no chuveiro, onde também costuma cantar de olhos fechados.
Curta a página oficial da Ana Paula Padrão no Facebook
*Tempo de Mulher: Facebook / Twitter
LEIA outras colunas de Mitchel Diniz:
Batman: Sobre homens e morcegos
13 filmes que os homens adoram
As supernamoradas dos super-heróis
As 15 mulheres que marcaram a história do cinema
Johnny Depp: as 7 faces de um galã do cinema
Veja também
MSN Brasil no Facebook
- recentesrecentes
- compartilhadoscompartilhados
- assistidosassistidos
- há 11 horas
- há 11 horas
- há 12 horas
- há 12 horas
- há 14 horas
- há 15 horas
- há 16 horas
- há 17 horas
- há 1 dia
- há 1 dia
- há 1 dia
- há 1 dia
- há 2 dias
- mais de 2 dias
- mais de 2 dias
- mais de 2 dias
- mais de 2 dias
- mais de 2 dias
- mais de 2 dias
- mais de 2 dias


Você já viu?

Confira os famosos que têm tendência para se envolver em tragédias de acordo com esta teoria

"Réplica" de Bruna Marquezine é destaque nos estádios; veja fotos da torcida enfeitada

Manifestações contra aumento da tarifa geram cenário de caos nas ruas de SP; veja fotos

Estar acima do peso não impede ninguém de ter um relacionamento; veja histórias

Artista cria esculturas hiper-realistas com mídias e silicone; obras de 'Ron' Mueck estarão em Paris



















