
Procura-se o ponto G

Foto: Thinkstock
Por BEATRIZ ALESSI
Trata-se de uma das buscas mais inglórias de que se tem notícia. Uma procura vã e obsessiva por uma entidade mítica, tão fugidia quanto o Abominável Homem das Neves ou o Monstro do Lago Ness.
Desde que, em meados do século passado, o ginecologista alemão Ernst Gräfenbergdescreveu uma zona erógena intravaginal, o famoso ponto G, batizado em homenagem a ele, a ciência tenta, incansavelmente, provar a existência desse suposto paraíso perdido do prazer feminino.
Recentemente, pesquisadores tinham jogado um balde de água fria na polêmica ao dizer que “não, o ponto G não existe”. Agora, na investida mais recente, o ginecologista americano Adam Ostrzenski vem a público afirmar que ele não só existe como foi encontrado no cadáver de uma polonesa de 83 anos.
Segundo o médico, a estrutura, medindo 8 milímetros de comprimento por 3 milímetros de largura, foi retirada da parede anterior da vagina da mulher, vinte e quatro horas depois da morte dela.
Muita gente no meio científico torceu o nariz para a “descoberta”. Eu também. Em primeiro lugar, pode haver circunstância menos sexy para tal achado? E que informações temos sobre a vida pregressa dessa senhora? Terá sido uma libertina, uma cortesã? Uma pudica? Nunca saberemos. E como um único espécime do sexo feminino pode ser capaz de jogar luz sobre um mistério tão insondável?
Muitas mulheres devem estar, como eu, se perguntando por que a ciência se debruça há tanto tempo a “dissecar” a nossa sexualidade. E se esse “onde está Wally” da nossa anatomia nos asseguraria passe livre para a Ilha da Fantasia.
Ora, nesse quesito concordo com a escritora chilena Isabel Allende: “As palavras são o melhor afrodisíaco para a mulher. O ponto G está no ouvido. Quem o procura mais embaixo está perdendo seu tempo.”
Não é pela ciência que se vai decifrar o mistério do prazer feminino. Não precisamos de coordenadas anatômicas ou de um botão de liga e desliga. E muito menos da bênção dos especialistas para chegar lá.
Definitivamente, a sexualidade feminina é complexa demais para ser reduzida a remotas enervações em nossa anatomia. Não existe uma “entidade”, nem um ponto específico que faça a mágica sozinho.
* Beatriz Alessi é jornalista e cidadã do mundo, como a maioria dos mineiros. Contadora de histórias, acha que a vida de toda mulher daria um grande filme - ou pelo menos uma modesta crônica.
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