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Por Raphael Cardoso, http://estilo.br.msn.com/tempodemulher

Perdi o amor num viral

RAPHAEL CARDOSO: “Talvez a publicidade em São Paulo realmente seja melhor e mais aflorada que o amor”.


"Seria o comercial o culpado por nossos sentimentos atrofiados?” Foto: Reprodução/ Nokia

"Seria o comercial o culpado por nossos sentimentos atrofiados?” Foto: Reprodução/ Nokia

Por RAPHAEL CARDOSO

*Para ler ouvindo: Amy Winehouse – Fuck me Pumps

A velocidade que as coisas acontecem numa cidade grande como a de São Paulo, faz com que o ritmo de tudo seja proporcional a sua dinâmica – tirando o trânsito nas ruas, é claro. A maior parte de nós vive correndo atrás dos próprios objetivos profissionais, o que é excelente para a economia da cidade, mas acaba deixando de lado a sensibilidade, a leveza e as delicadezas que fazem da vida interessante de fato. É isso que torna uma metrópole como a nossa tão fria e, conseqüentemente, faz seus habitantes, mesmo entre tantos e tantos outros, se sentirem tão sós.

São raros os momentos que nos deparamos com um ato de sensibilidade em meio a esta confusão de nós mesmos e, quando isso acontece, nos chama a atenção e algumas vezes até nos mobiliza. Foi o que aconteceu há duas semanas com um vídeo intitulado “Perdi meu amor na balada”. Nele, um rapaz, Daniel, que se apaixonou por uma moça num belo bar de São Paulo, resolvera se gravar para, assim, encontrar a amada de quem havia perdido o contato. No vídeo, ele relata que a conheceu, se encantou e que, mesmo nunca tendo acreditado, foi amor à primeira vista. Ele encerra o vídeo se dizendo desesperado, sem dormir e afirmando que “por amor vale tudo”.

Não preciso de muitas outras palavras para explicar o porquê a ideia se tornou um viral nas redes sociais e milhares de pessoas se mobilizaram compartilhando o vídeo do apaixonado em desespero a procura de sua amada “Fernanda” – foram quase um milhão de acessos em menos de duas semanas! Muitas mulheres e mesmo os homens, compartilhando o vídeo, suspiravam aliviados por perceber que talvez não precisassem mais ser tão céticos em relação ao romantismo e ao próprio amor nesta cidade tão dura. “Existe amor em São Paulo”, era a frase que mais acompanhou seus inúmeros compartilhamentos. Muitos queriam ser Fernanda e outros tantos se colocaram no lugar de Daniel, mas o consenso geral era que se encontrassem.

A grande surpresa foi quando veio à tona, não que Fernanda era casada ou que não queria que Daniel a encontrasse, mas que Fernanda nunca existiu. E, assim como ela, não existiu encontro, nem encanto, nem amor e nem nada. O que existiu foi uma ideia publicitária para vender um aparelho de celular. Sim, a ideia funcionou como viral: mobilizou, encantou, emocionou e surpreendeu, mas infelizmente enganou. Era como se Daniel tivesse forjando um amor para tornar seu produto conhecido. Daniel – que é a única coisa real do vídeo - recebeu, provavelmente, um cachê para se “apaixonar” e nos tornar solidários, e por causa de nossa carência, nos tornamos eufóricos e, de repente, vimos mais uma razão para nos aconchegarmos no leito do ceticismo novamente.

O aparelho conseguiu ficar conhecido, só não se sabe se as vendas do “destruidor do romance” irão deslanchar. O fato é que agora querem processar a empresa por não ter incluído a marca no discurso e nem deixado claro o intuito do vídeo. No CONAR, a representação foi aberta com base na reclamação de 10 consumidores. Alguma dúvida que sejam 10 corações que se sentiram enganados? É uma dezena de pessoas que não se contentaram em ficar decepcionadas, mas que de tão indignadas querem que isso não volte a acontecer. Me pergunto se o comercial - isso, vamos logo dar o nome que merece - é tão culpado por nossos sentimentos atrofiados ou se a solução para nossa insensibilidade seja meia dúzia de criativos que nos encantam com ideias bem patrocinadas e dirigidas. Talvez a publicidade em São Paulo realmente seja melhor e mais aflorada que o amor. Não será o CONAR e nem o PROCON que irão atenuar ou reverter isso.

Há sim inúmeras “Fernandas” e “Danieis” por toda a parte nessa confusão paulistana, mas enquanto continuarmos agindo de maneira automatizada e não desacelerarmos e percebermos o que de especial e simples há a nossa volta, será a publicidade, e não as pessoas, a nossa maior razão para amar.

* Raphael Cardoso é radialista, nasceu em São Paulo, mas ainda não decidiu se é mineiro, baiano ou paulista. Tem o problema da "super sinceridade" e acredita que drama fica sempre melhor na ficção. Ama tudo o que é simples, único ou diferente. (@raphaelcard)

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2Comentários
30/jul/2012 12:56
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Oi, vc é um ótimo escritor...estou encantada...sim nossa solidão, e olha que moro em cidade pequena, nos leva a sonhar com amores impossivéis ou encantados, de amor a primeira vista a amor de sorrisos . uhhh...a vida poderia ser mais facil...
30/jul/2012 11:40
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Essa história deve virar novela nas emissoras de plantão. Quanta imaginação ou enrolação! O fato é que, além dos "erros" cometidos ele criou uma super história que gerou expectativa nos leitores. Eu mesma li o texto no intuito de chegar logo ao final para ver o desfecho...rsrsrrss. Fui pega pela curiosidade mais uma vez.
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