
O restrito clube da fidelidade

Ser fiel é valorizar e respeitar, não o sentimento do outro, mas o próprio.
Por RAPHAEL CARDOSO
*Para ler ouvindo: Nina Zilli – 50 milla
Sem dúvida um dos maiores luxos que existe na vida é a exclusividade. Por causa dela algumas pessoas pagam preços inimagináveis para terem alguns produtos, entrarem em certos grupos ou viverem exóticas experiências. A exclusividade pode ser tão almejada que há situações em que é preciso bem mais que dinheiro, é preciso prestígio, conhecimento ou uma boa dose de pedigree para alcançá-la. O que nem todos sabem, é que a única coisa exclusiva de verdade está ao alcance de qualquer um, mas só poucos conseguem serem membros deste restrito clube: o da fidelidade.
É claro que nem todo mundo faz questão de ser exclusivo de alguém e vice-versa, mas a maioria, seja por convenção ou por necessidade, quer essa carteirinha. Conseguir manter essa troca justa com alguém pode ser bastante difícil, por isso mesmo se torna algo tão valorizado. E exigir o que não se pode oferecer, desmerece automaticamente o candidato ao grupo.
Ser fiel é valorizar e respeitar, não o sentimento do outro, mas o próprio. Não adianta achar que o mais importante é a lealdade. Ser leal é questão de caráter. Fidelidade é força de vontade.
Ninguém é e nem nunca pertencerá a ninguém e pessoas interessantes estão por toda a parte. Atração é a coisa mais comum, assim como o desejo e a busca por experiências novas. Mas como não trair mesmo quando a atração é tão grande? Há uma gigantesca distância entra desejar e consumar um fato. E é nessa distância que mora a tal força de vontade. Nem todo desejo deve ser realizado. Nem todo arrependimento vale a pena depois do mal causado.
Os clubes são restritos porque pouquíssimos são os que merecem fazer parte deles. É muito relativo dizer que viver lá dentro é melhor que aqui fora. A única certeza é que muitos são os que querem, mas poucos são os que conseguem se fidelizar.
* Raphael Cardoso é radialista, nasceu em São Paulo, mas ainda não decidiu se é mineiro, baiano ou paulista. Tem o problema da "super sinceridade" e acredita que drama fica sempre melhor na ficção. Ama tudo o que é simples, único ou diferente. (@raphaelcard)
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