
As supernamoradas dos super-heróis

Elas sabem envolver sem ter capa, proteger sem combater. E contra-atacar. Sem ser vilãs.
Por MITCHEL DINIZ
A estreia de "O Espetacular Homem-Aranha” pode levar ao cinema muita gente que acha que o filme é apenas mais uma continuação dos outros três que foram lançados anteriormente. Não é o caso. Logo nos primeiros minutos de projeção, o público irá notar a diferença. E elas não estão só no elenco, mas também na trama. O filme é o que chamam de “reboot”, um novo começo para uma história recontada.
Em sua nova versão, Peter Parker, a identidade secreta do herói, está mais adolescente, mais moleque. O mesmo já não se pode dizer da sua “nova” namorada. Mary Jane, a mocinha dos filmes anteriores, ficou de fora dessa versão. Deu lugar à inteligente Gwen Stacy, uma garota mais discreta e menos passional do que “a outra”. Mas assim como Mary Jane, Gwen também sofre com os dilemas de toda mulher que se envolve com um super-herói. Tem que se acostumar com a ausência do amado enquanto ele combate o crime. E lidar com o medo de perdê-lo nessa luta.
É, ser uma “supernamorada” não é nada fácil. Os heróis, por si só, são homens complicados que vivem tentando conciliar a vida pessoal com a de paladino da Justiça. E, além de tudo, são galanteadores. O Batman, por exemplo, troca de mulher a cada filme, praticamente. E até o Superman, danadinho, cometeu os seus deslizes com a Lois Lane. Quem disse que a criptonita era o único ponto fraco do homem de aço? São exemplos da fantasia, mas que cabem como uma luva também na vida real. Quando o poder sobe a cabeça, o super-herói pode acabar machucando quem mais gosta dele.
Mas uma supernamorada que se preze tem seus poderes. Ela não está ali apenas para costurar a calça rasgada do Hulk, lavar a capa do Batman ou as cuecas do Superman. Não, a supernamorada é uma heroína também. Sabe envolver sem ter capa, protege sem combater. E, quando é preciso, contra-ataca. Sem ser vilã.
* Mitchel Diniz é jornalista baiano com endereço em São Paulo. É apaixonado por cinema e já ganhou um Oscar imaginário. Fez o discurso no chuveiro, onde também costuma cantar de olhos fechados.
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