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Por que tanta pressa em aprender a ler?

Seu filho já sabe ler? Seu filho ainda não sabe ler? Quando nós, os pais, vamos aprender que o tempo certo do ler não tem nada a ver com já ou ainda?

Por Adriana Teixeira 10/set/2013 23:29

Quando nasce um bebê, nasce uma mãe, sabe-se, mas desconfio que a história é ainda mais complexa. Uma mãe nasce todo dia, quando aprende a amamentar, a trocar fralda, a curar machucado, a consolar. Uma mãe nasce lindamente quando o filho aprende a falar, balbucia palavras e, aí, um dia junta letrinhas e começa experimentar a leitura. Ah, esse momento é como renascer... e a mãe, entre embasbacada e realizada, precisa aprender, então, a dosar sua ansiedade para que o filho, de fato, comece a ler. E vou confessar, não é fácil! Dá uma pressa, parece, uma vontade louca de que então o filhote descubra os livros, as histórias, um desejo de dizer “meu filho já sabe ler!”


Pressa por que, vão dizer? A gente mesmo aprendeu a ler e escrever com quantos anos? Seis, sete? Mas aí, na escola infantil todo mundo fala da alfabetização moderna, fala que o velho método da cartilha era só defeito, que a “vovó-viu-a-uva” e “o a-e-i-o-u” não estimulava adequadamente. E aí têm todas as mães da pracinha comentando os brinquedos educativos recomendados pela Associação Americana de Pediatria, e têm os teclados alfanuméricos, e têm os apps e os softwares de estimulação precoce... E a gente, que é mãe de primeira viagem sim, mas superantenada e só quer o melhor pra os nossos filhos, diz: é isso, alfabetizar quanto mais cedo, melhor!


Só que, não! Sinceramente, não está comprovado que essa estratégia seja melhor, única ou ideal. Não é uma diretriz definitiva. É só acompanhar atentamente as discussões pedagógicas pra perceber que nada está consumado quando se trata de definir qual é a idade certa pra alfabetizar uma criança. No Brasil, a única coisa que está acertada por lei é que a criança deve entrar no ensino fundamental no ano que completar 6 anos e esse ajuste, que adiantou a idade mínima e incorporou o antigo pré-primário ao ensino fundamental (que por isso passou a ter 9 anos), teve muito mais a ver com a incompetência material do ensino público infantil em alfabetizar do que, de verdade, com uma diretriz pedagógica para alfabetizar antes dos 6 anos.


Na nossa casa foi assim: o João desde pequeno tinha um interesse surreal por letras e livros. Paixão igual carrinhos, massinhas, bola eram as histórias dele e as revistas e jornais que circulam aos montes pela nossa sala. Aos 4 anos juntou sílabas sozinho, lendo uma placa de rua – e nos causou espanto, mais do que alegria. Dali pra juntar letras, escrever o próprio nome foi um pulo. A Bruna, com mais livros e revistas à disposição, já que o acervo familiar incorporou a coleção do irmão também, nunca deu bola pra letrinhas. Na mesma escola, o mesmo método, o mesmo ritmo, demonstrava pra gente que queria ir mais devagar. Os coleguinhas escreviam B – N – N e a professora dizia que ali estava escrito “banana” – explicando que algumas crianças são silábicas com consoantes e outras com vogais. A Bruna desenhava a banana que era uma beleza... Mas acabou o G5, aos 6, alfabetizada: em outras palavras, entrou no ensino fundamental escrevendo seu nome e sabendo ler “vovó viu a uva”.


E na sua casa, o que pensam sobre a questão da alfabetização precoce?

*ilustração: Creative Commons
32Comentários
11/set/2013 11:22
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Entendo que na sociedade moderna os precoces se destacam, viram notícia e conseguem status e fama (consequentemente $$).
Poucos (diria até, raríssimos) pais valorizam o ''tempo'' da criança. E tome curso de inglês, natação, judô, ballet, kumon ...
Parece que os pais querem tornar seus filhos em troféus, motivo de orgulho pelo  desempenho. E se puder faturar algum com isso, melhor ainda.
Aliás, essa história me lembra a do MICHAEL JACKSON em suas devidas proporções.

Saber respeitar a criança pelo que ela é, criança, ao meu ver, é a maior valorização que os pais podem dar aos seus filhos.

PS - MEU COMENTÁRIO FOI DE ENCONTRO AOS PAIS QUE ''FORÇAM'' UMA SITUAÇÃO E NAO SOBRE OS QUE TEM DONS PRECOCE (ISSO É OUTRA HISTÓRIA).

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como me arrependo de ter exigido tanto do meu filho, precoce no piano, foi pro violão, violino por que gostava, ingles(formou) valeu muito, italiano, espanhol, teve q parar, natação, otimo, futebol..ñ, quando precisou estar preparado para o 2º  grau, estava exausto de tanta atividade...hoje já passou em varias federais, entrou em 2, abandou e está em outra....dizia às vezes q estava cansado de tanto fazer as coisas...devemos deixar as crianças mostrarem suas tendências e preferências..nós pais achamos q sabemos ou devemos fazer de tudo para eles fazerem o máximo possível...os sobrecarregamos a impor neles aquilo q gostaríamos de ter feito e ñ pudemos fazer...a historio de querer dar a eles tudo aquilo q ñ tivemos, é uma hipocrisia...cada um é único em suas preferencias, ideais e só devemos orientá-los até o ponto que eles já tenham uma opinião formada.....

12/set/2013 18:09
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Eu descobri que sabia ler com quatro anos, quando me dei por gente. Nessa época, a gente lá em casa passava uma fome lascada, não tinha aula particular e nem escolinha, era só a creche da favela, um caderno velho e uma caneta sem tampa, a televisão com palha de aço, pegando o 2, o 4 e o 5, umas ratoeiras pra não baratinar. A minha mãe fazia uns exercícios pra me ensinar as letras, mas pra falar a verdade, nesse tempo eu já os achava bobos e preferia um almanaque ou revista velha, com muito mais informação divertida. Um dia, eu descobri que aquilo que eu fazia era ler, e que aquilo que eu entendia eram palavras. Hoje, eu não posso dizer que era um superdotado, porque não fiquei rico, mas tenho a certeza de que se Deus existe, ele me presenteou com a minha maior paixão, a maior liberdade, e o maior prazer possível para um ser humano, que é a satisfação de escrever tudo aquilo que sinto e acompanhar o raciocínio de muitos outros, por meio desse código mágico e indispensável que é a língua. Se ensinar o filho cedo é ruim, eu não sei. Mas ter aprendido pra eu foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.
13/set/2013 08:38
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Creio que uma das melhores ferramentas para o crescimento e desenvolvimento na educação das crianças vem do incentivo dos pais, e não importa a idade, a motivação é um ingrediente essencial nesse processo de aprendizagem. Lembro que ao chegar em casa no momento da "tarefa de para casa" eu sentava na porta da sala e começava a fazer meus exercícios, minha mãe dizia: "filho eu não sei te ensinar", mas ela não sabia, o melhor da vida ela estava me ensinando sem saber: ficava ao meu lado todas as vezes, sempre me apoiando e me incentivando. Entrei na escola aos quatro anos de anos de idade, e vejo que isso foi muito bom no meu desenvolvimento, não teve "forçação de barra", meu processo de aprendizagem foi natural, aprendi cedo e me sinto orgulho disso. Cresci, estou no último semestre de Pedagogia, e vejo na prática a dificuldade quando fui professor do 2º ano do ensino fundamental: crianças de 8 anos ainda não sabem ler e escrever ! Fico triste, pois percebo que muitas crianças não tiveram a mesma oportunidade que eu tive, talvez um incentivo, uma motivação dos pais, a alegria de poder assistir um desenho educativo (e não apenas de lutas, guerras ..), um contato com um gibi, uma propaganda de supermercado .. Tudo isso, contribui desde cedo para minha formação, e agradeço a DEUS sem pressão de ninguém ! :D
12/set/2013 15:18
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Reginaldo C. Pereira

Meu filho tem 2 anos e 4 meses, chama-se Fernando.
Não sei se pelo fato desde cedo colocarmos o DVD da Mariana, Dora, Pocoyo  dentre outros... Meu filho tem um desempenho além do normal, algo já mencionado até pela própria Coordenadora Pedagógica da Creche que ele está. Tomamos o cuidado para não força-lô além do que ele consegue acompanhar, mas diante desse avanço penso que não posso deixa-lô estaguinar e esquecer o que tem aprendido. Normalmente é ele quem brinca com as letrinhas e numeros, reconhecendo todas as letras do alfabeto, numeros até 20 e alguns aleatóriamente, como 30, 40 etc...Também reconhce as principais cores e formas geométricas.O que fazemos é somente incentiva-lô, e é claro "babamos" .

14/set/2013 13:45
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ACHO UMA COISA...AS FAMÍLIAS SÃO IMPORTANTES SIM, PARA ESTIMULARES SEUS FILHOS DESDE PEQUENOS E NÃO DEVEM ESPERAR QUE A PENAS A ESCOLA FAÇA ISSO. AS CRIANÇAS TÊM SEU RITMO PRÓPRIO QUE DEVE SER RESPEITADO E OBSERVADO PARA QUE AS INTERVENÇÕES POSSÍVEIS ACONTEÇAM E QUANTO MAIS A FAMÍLIA PARTICIPAR DESSE PROCESSO MELHOR DESEMPENHO TERÁ A CRIANÇA. LEIA PARA SEUS FILHOS, COMPRE LIVROS, LEVE-OS ÀS LIVRARIAS, DESENHE, PINTE, RECORTE, CANTE E FIQUE JUNTO DELES, POIS ASSIM SUAS POSSÍVEIS DIFICULDADES SERÃO SANADAS E SUA VIDA ESCOLAR E SERÁ MUITO MAIS PROVEITOSA.
IRINETE
13/set/2013 11:52
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Eu acredito que a criança é produto do meio, nunca forcei meu filho à nada, é claro que não, pois já sou mãe de outro menino que é completamente diferente um do outro. Com  1 ano e 3 meses, devido aos DVD´s educativos de hoje em dia, o Gustavo já sabia contar até 8, hoje com 2 anos e 1 mês, já conta até 20, reconhece todo o alfabeto, sabe o que o nome é alfabeto e conhece algumas palavras que começam com as letras do alfabeto, por exemplo, se perguntar o "A" é do que, ele fala A de amor, P de papai, M de mamãe e aí pela frente. Ele não frequenta escolinha nenhuma, cuido dele sozinha em casa, e tudo que tem letras chama a atenção dele, por onde andamos na rua, o que ele vê começa a soletrar, e só tem 2 anos. Eu estimulo? é claro que sim, ele é inteligente, não posso deixar que ele não descubra a maravilha do aprender, mas não forço, só percebo que ele quer e gosta de aprender. Eu realmente não vejo mal algum se isso não for algo imposto à criança, se for apresentado de uma forma tranquila e espontânea, sem cobranças.
16/set/2013 11:50
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Esta reportagem me ajudou muito pois tenho muita ansiedade que minha filha aprenda ler, porem ela é do ritmo mais lento, já esta com 7 anos e agora que esta desenvolvendo a leitura, sim e esta na escola fez maternal etc ...apartir de 1 ano e 8meses, eu então como mãe esperava mais, agora tenho ficado mais tranquila mais é muito complicado.

14/set/2013 17:39
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Meu filho tem 6 anos, e sempre demonstrou ñ estar nem aí para as letras, adora histórias, desde que eu as leia para ele, embora já saiba juntar algumas letras, ele sempre prefere me perguntar o q esta escrito.
No começo achei q era preguiça, o pai continua achando... Mas percebia q é apenas o ritmo dele.
Parabéns pelo Tema.
12/set/2013 16:37
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Sempre tento ser uma mãe, moderna, antenada e atenta as necessidades dos meus filhos, mas não sou fascinada pela ideia de que quanto mais rápido melhor, pelo contrário sempre achei, apesar de não ser pedagoga, mas ter mãe, tias e irmã pedagogas, que cada um tem seu ritmo e cada coisa a seu tempo...nem devemos nos antecipar demais e nem descuidar para não andarmos atrasados demasiadamente. Tenho dois filhos, um de 6 anos e meio, que veio aprender de fato a ler frases e textos no final do primeiro semestre, enquanto muitos de seus colegas já liam um gibi todinho sozinho, e uma filha de 3 anos que ainda não esta na escola pois aqui a única escola particular de ensino infantil que tem só pega com 3 anos e como ela só agora completou três anos, só entrará na escola ano que vem. Mas já se interessa por livros, histórias, pintura, desenho, por causa do irmão. Acredito que para ela tudo vai ser mais fácil devido o estimulo do irmão, mas não quero adiantar e nem exigir dela aquilo que ela ainda não pode oferecer. Cada um e cada coisa no seu tempo.
15/set/2013 12:40
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Eu gostaria de aproveitar o espaço e fazer um apelo a todas as mães e pais que aqui discursam sobre essa importante questão. Vamos brincar mais de "fazer nada" com nossos filhos. Sempre perguntem às crianças se elas querem fazer as atividades que muitas vezes, sem sentir, lhes são discretamente impostas, como por exemplo, o simples ato de ligar a TV para fazê-las assistir a um desenho animado educativo. Hoje os desenhos animados ensinam, letras, números, línguas, habilidades. Que saudades dos desenhos animados da minha geração...apenas distraiam!
15/set/2013 13:46
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Muito importante a leitura do texto! Cada criança tem seu tempo certo para ler.Deve-se respeitar pelo que ela é, e não pelo mercado competitiivo do mundo de hoje, pois, pode atropelar uma vida para sempre....

15/set/2013 13:45
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Muito importante a leitura do texto! Cada criança tem seu tempo certo para ler.Deve-se respeitar pelo que ela é, e não pelo mercado competitiivo do mundo de hoje, pois, pode atropelar uma vida para sempre....

14/set/2013 13:45
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ACHO UMA COISA...AS FAMÍLIAS SÃO IMPORTANTES SIM, PARA ESTIMULARES SEUS FILHOS DESDE PEQUENOS E NÃO DEVEM ESPERAR QUE A PENAS A ESCOLA FAÇA ISSO. AS CRIANÇAS TÊM SEU RITMO PRÓPRIO QUE DEVE SER RESPEITADO E OBSERVADO PARA QUE AS INTERVENÇÕES POSSÍVEIS ACONTEÇAM E QUANTO MAIS A FAMÍLIA PARTICIPAR DESSE PROCESSO MELHOR DESEMPENHO TERÁ A CRIANÇA. LEIA PARA SEUS FILHOS, COMPRE LIVROS, LEVE-OS ÀS LIVRARIAS, DESENHE, PINTE, RECORTE, CANTE E FIQUE JUNTO DELES, POIS ASSIM SUAS POSSÍVEIS DIFICULDADES SERÃO SANADAS E SUA VIDA ESCOLAR E SERÁ MUITO MAIS PROVEITOSA.
IRINETE
13/set/2013 11:50
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Eu acredito que a criança é produto do meio, nunca forcei meu filho à nada, é claro que não, pois já sou mãe de outro menino que é completamente diferente um do outro. Com  1 ano e 3 meses, devido aos DVD´s educativos de hoje em dia, o Gustavo já sabia contar até 8, hoje com 2 anos e 1 mês, já conta até 20, reconhece todo o alfabeto, sabe o que o nome é alfabeto e conhece algumas palavras que começam com as letras do alfabeto, por exemplo, se perguntar o "A" é do que, ele fala A de amor, P de papai, M de mamãe e aí pela frente. Ele não frequenta escolinha nenhuma, cuido dele sozinha em casa, e tudo que tem letras chama a atenção dele, por onde andamos na rua, o que ele vê começa a soletrar, e só tem 2 anos. Eu estimulo? é claro que sim, ele é inteligente, não posso deixar que ele não descubra a maravilha do aprender, mas não forço, só percebo que ele quer e gosta de aprender.
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sobre a autora
  • Ana KesslerAna Kessler

    Publicitária e escritora, foi coordenadora do núcleo de internet do Jornalismo da TV Globo/RJ, editora dos portais femininos Bolsa de Mulher e Tempo de Mulher e é diretora da ONI Content, empresa de projetos de conteúdo para a web. Gaúcha de Porto Alegre, morou em Londres, Nova York, Rio de Janeiro e, agora, São Paulo. É mãe da Ana Beatriz, a "Ana Bê", 9 anos, uma menina faceira, carioquinha de nascimento, porto-alegrense de alma e paulistana de coração. Juntas, entregam-se com muito amor ao exercício de serem mãe e filha.

  • Mariana Della BarbaMariana Della Barba

    Antes era só jornalista, dessas curiosas, que não sossega. Depois que o Theo (5 anos) e a Liz (2 anos) nasceram, “piorou”. Adora ir atrás de lugares legais para levar os filhos – tanto que lançou o livro São Paulo com Crianças. É viciada em ideias e novidades ligadas à maternidade e ao mundo infantil. Tudo isso é registrado no blog Mãe da Rua, que nasceu quando o Theo ainda estava na barriga.

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